One World Trade Center. Imagem: The Port Authority/The Durst Organization

Dentro de algumas semanas descobriremos se o edifício mais alto da América terá realmente 1.776 pés (541,3 m) de altura, ou não. O One World Trade Center tecnicamente terá esta altura, porém cerca de 408 pés dele não constituem na verdade uma área construída, mas sim uma antena.

Se a parte superior da torre for considerada uma antena ao invés de edifício, o One World Trade Center será o terceiro maior edifício da América, perdendo somente para a Torre Willis (442 m) e o Trump International Hotel & Tower (415 m). Os edifícios dos EUA são impressionantemente altos, mas perdem feio para edifícios que existem no Oriente Médio e na Ásia, por exemplo. Só a título de comparação, na China por exemplo, será inaugurado em 2014 um edifício de 838 metros de altura.

Desde que mundo é mundo o humano é fascinado por coisas grandiosas, mas para construirmos tais estruturas sempre teremos que lutar contra grandes obstáculos, como as leis da física por exemplo. A grande dúvida então é: Quão alto arranha-céus poderiam realmente ser? Será que algum dia poderemos construir prédios mais altos do que o Monte Everest? Reuni neste post todos os obstáculos que os engenheiros enfrentam e como estes obstáculos têm sido superados até então. Se não quiser ler todo o artigo e quiser saber logo qual é a maior altura possível, avance até o final do artigo.

Obstáculos naturais: Vento e Terremoto

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Burj Khalifa. Imagem: Drmedia.ro


O atual maior edifício do mundo até então é o Burj Khalifa (imagem acima), que está localizado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele tem 828 metros de altura. Para construí-lo foi preciso criar uma técnica de arquitetura e design até então jamais utilizada, chamada ‘núcleo reforçado’. O prédio tem o formato de um tripé, com três pernas principais ancoradas a um núcleo central, que é responsável pela maior parte da altura. Ao invés de depender apenas de misturas super-resistentes de aço e concreto, o design do seu projeto o dá estabilidade – cada perna fornece o apoio necessário para as outras duas (clique na imagem acima para ampliá-la).

Apesar de ter sido construído com um projeto de arquitetura avançado, a quantidade de aço necessária para os andares superiores se torna muito pesada, isto força os arranha-céus serem cada vez mais finos nas partes mais altas. Portanto, quanto mais alto for o prédio, mais finos devem ser os andares superiores. Isso também os protegem contra o vento. O Burj sobe em um padrão irregular, com níveis irregulares chegando a diferentes alturas em torno da estrutura para que a estrutura possa se desviar de rajadas e evitar vórtices de ar.

Proteger super-estruturas de terremotos é outro enorme desafio da engenharia civil. Para estudar o comportamento da construção, arquitetos colocam modelos em escala reduzida em túneis de vento e em mesas de vibração. Assim é possível descobrir quais os níveis de vibração o concreto consegue suportar. As construções são projetadas para suportar terremotos de até uma determinada magnitude (com limites que variam de um local para outro).

Quando perguntados sobre a possibilidade de se criar um edifício de 1 km de altura, engenheiros civis responsáveis pela construção do One World Trade Center disseram que em breve será possível fazer isso. “Com imaginação e criatividade, os engenheiros e arquitetos que trabalham nisso sempre acabam descobrindo uma forma de irem cada vez mais longe,” disse Matthias Sauerbruch, um dos engenheiros do projeto. “Neste momento, a física não é o único obstáculo do ser humano, mas sim também o financiamento necessário para tais obras colossais,” completa.

Obstáculos dos recursos: Altura e velocidade dos elevadores

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É mais fácil movimentar pessoas dentro de um edifício do que construir o próprio edifício, certo? Errado. Levar as pessoas para cima e para baixo em um edifício é talvez um dos maiores desafios dos projetos de superestruturas. Os mais modernos elevadores que existem estão instalados no Burj Khalifa, e são capazes de subir no máximo 504 metros, isto significa que se você quiser ir até o topo terá que fazer baldeação de elevadores.

A velocidade dos elevadores também é outro problemão. O elevador mais rápido do mundo está localizado dentro do edifício Tapei 101 Tower, que fica em Taiwan. O elevador atinge uma velocidade máxima de 61 km/h. Elevadores, porém, podem descer até no máximo dois terços desta velocidade, mas nós mesmos somos os culpados por este limite, e não para a tecnologia. Se os elevadores descessem mais rápido do que isso os ouvidos da maioria dos passageiros não suportariam as mudanças bruscas de pressão. Conclusão: Para edifícios de um quilômetro de altura, teríamos que encarar percursos bem demorados e, portanto, elevadores lotados de passageiros.

Afinal, qual é o limite de altura imposto pela física?
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Os maiores arranha-céus do mundo na atualidade. Imagem: Fundação Wikimedia

Assim como no One World Trade Center, a maioria dos edifícios mais altos do mundo são na verdade menores do que aparentam ser, pois o andar mais alto ‘acessível’ fica bem abaixo do pico da antena. Esta “enganação” é o que os especialistas chamam de “altura da vaidade.”

Sem a tal da “altura da vaidade,” 44 dos 72 edifícios mais altos do mundo (equivalente a 61% deles) mediriam menos de 300 metros de altura, e perderiam portanto o título de arranha-céus.

A resposta à pergunta então é: Não há limite, desde que todos os obstáculos já mencionados sejam superados. Prédios que chegam a um quilômetro ou mais, incluindo o planejado Kingdom Tower, de Jeddah, Arábia Saudita, provavelmente irão atingir em breve essa altura, mas terão características arquitetônicas semelhantes aos mais altos já construídos até então. Certamente em breve será possível chegarmos a 1 quilômetro de altura, talvez um dia até chegaremos a níveis mais altos do a altura de muitas montanhas, argumentam alguns arquitetos. O problema é que quando chegarmos neste nível, novos obstáculos surgirão, o desafio será então manter as pessoas vivas ​e confortáveis dentro destas superestruturas, com edifícios projetados para compensar a diminuição da pressão atmosférica e da ausência de oxigênio.

“Teoricamente,” diz Sauerbruch, “não há limite.” “Se isto faz sentido ou não, esta é uma outra questão difícil de se responder,” completa.

[DVICE]

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