Na década de 90 a vida dos que gostavam de videogames era bem diferente da atual, não existiam videogames que permitiam comprar títulos pelas PSNs ou Lives da vida, e muito menos Steam. Quem quisesse comprar um console ou jogo tinha que ter a sorte de ter pais ricos ou trabalhar muito (muito mesmo) para pagar caro neles. Os preços de consoles que naquela época eram modernos “aparentemente” não eram diferentes dos preços dos consoles de hoje em dia, mas vamos encarar os fatos, era bem mais difícil ganhar dinheiro naquela época do que hoje em dia, então era natural que nossos pais, que não conheciam ou não tinham muita experiência com videogames, não dessem tanta importância para eles.

Hoje nossos filhos já nascem praticamente jogando, porque nós pais já temos o hábito de jogar videogames e gostamos de fazer isso. Poucos tinham um Game Boy na década de 90. Um Game Boy Color custava algo em torno de R$ 400 (com cartucho Pokémon incluso), muita grana considerando as dificuldades da época.

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Recorte de jornal da década de 90 – Imagem: Game Boy Club

Achou caro? Encontrei num artigo interessante no Estadão sobre um comparativo com os preços dos videogames no momento em que foram lançados e quanto eles custariam se fossem lançados hoje. Um Super Nintendo custava Cr$ 25 mil em agosto de 1993, algo que hoje em dia seria equivalente a R$ 1,5 mil. Caro? Um Nintendo 64 (imagem) que na época custava algo em torno de R$ 700, hoje custaria algo em torno de R$ 2 mil. Um Atari 2600 em 1983 custava Cr$ 119 mil, hoje em dia custaria algo equivalente a R$ 2746,15. OUCH!

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Lançado a menos de R$ 700 na época, N64 custaria quase R$ 2 mil hoje. Imagem: Estadão

E lá fora? Quanto custavam em relação ao preço atual?, encontramos no Hugues Johnson recortes antigos de uma revista da loja americana Sears, com alguns consoles e jogos e informações sobre quanto eles custavam lá nos EUA na época. Lembrando que nesta época ainda não existia Amazon por lá. Veja as imagens a seguir.


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O ano de 1990 marcou o fim da era 8-bit. O Super Nintendo seria lançado no ano seguinte, enquanto o Mega Drive da SEGA e o Turbo-Grafx-16 já tinha uma certa vantagem inicial pois havia sido lançado em 1989 e em 1990 estaria chegando ao Brasil. O NES por sua vez ainda fazia barulho no mercado dos games mundial, proporcionando aos jogadores lançamentos que usufruíam cada bit do seu poder de processamento. Castlevania III: Dracula’s Curse — um dos maiores lançamentos de NES — fora lançado em 1990, e a Sears o vendia por US$ 44,95.

Mesmo em meio a uma transição para o universo 16 bits, videogames portáteis foram rapidamente se popularizando. Mesmo sendo tecnicamente inferior, o Game Boy da Nintendo engoliu o Atari Lynx e Turbo Express, seus concorrentes na época. O preço do Game Boy era muito mais acessível (US$ 89,95) em relação ao Turbo Express 16 bits (US$ 249,95) e o Atari Lynx (US$ 169,99), portanto a decisão dos consumidores foi fácil. Graças ao preço acessível e à biblioteca de jogos incrivelmente rica do Game Boy ele acabou se tornando um fenômeno mundial, vendendo mais de 118 milhões de unidades no mundo todo. No ano seguinte, em 1991, a SEGA estaria lançando seu portátil, o Game Gear, mas este também foi esmagado pelo Game Boy.

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Hoje nos EUA um Nintendo 3DS — o representante portátil atual da Nintendo — custa algo em torno de US$ 180. É difícil comparar a relação custo/benefício entre o Game Boy e um Nintendo 3DS, pois hoje os consoles são mais potentes e são feitos com peças que nem existiam naquela época, mas uma coisa é certa, depois de duas décadas pelo menos nos EUA os preços dos jogos se mantiveram compatíveis com os de hoje em dia. O mesmo jogo que em 1990 custava 49,95 dólares custaria 89 dólares atualmente, se sofresse reajuste de acordo com a inflação norte-americana. É lamentável que a mentalidade dos distribuidores de games e do nosso governo seja diferente da deles.

[Hugues Johnson]

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